COMECEI COMO MUITOS
"...Daqui para frente uma só luta: não tomar o primeiro gole para não voltar ao triste passado." Eu comecei como muitos começam: como uma curiosidade. Achava legal ver os outros bebendo, tomei e gostei. No início não era tão assíduo no uso: "Bebia socialmente". Fui em frente, era jovem, resistente, tinha bom emprego, grana, carro, mulheres, era a vida que eu queria.
O tempo foi passando, a idade chegando e eu continuava sem saber que estava doente. Vieram as consequências: afastei-me da família, do emprego, perdi a saúde, amigos verdadeiros, alienei-me. Internações psiquiátricas sem contar, tratamentos ambulatoriais, tombos, desmaios, vergonha passada perante outros, dor. Hoje eu vejo tudo isso. Na época eu não era doente, bebia porque podia, eu pagava, ninguém tinha nada a ver com isso.
Foi numa comunidade que me foi lembrado que lá em cima existe um Deus, que eu ainda poderia ser alguém, apesar da minha doença.
Vejo que ela pode ser controlada, pela minha vontade e a vontade de Deus. Não posso vacilar em nenhum momento da minha recuperação.
As "vontades" antigas ainda vêm à minha cabeça, tenho que me vigiar.
Tive sorte de voltar a alguns convívios: família (filhos, irmão), amigos leais. Tenho também os companheiros de recuperação, pois no grupo eu os encontrei e lá tenho as reuniões com partilhas, troca de experiências, oração, o ouvir e o falar. Isso é muito importante na minha recuperação. Daqui para frente uma só luta: Não tomar o primeiro gole para não voltar ao triste passado. "Hoje não tenho um novo caminho, tenho um novo jeito de caminhar".
PFB. |